Lição 15
ORAÇÃO DE
RENÚNCIA
Lucas 11:17-20;
Atos 26:18; Colossenses 1:13
e II Coríntios 4:2.
Na realidade espiritual, existem apenas dois
reinos: o Reino de Deus e o Reino das trevas em oposição a Deus. Não são dois
deuses. Mas um só Deus criador dos céus e da terra e tudo o que neles há.
Satanás ou Lúcifer é um anjo, criado por Deus, que foi expulso dos céus, com
seus seguidores, após uma rebelião.
Todo ser humano nasce sob o domínio de Satanás,
pertencendo ao reino das trevas. Esta é a maldição a que ficou sujeita a
humanidade depois do pecado da desobediência de Adão, que comeu do fruto da
árvore da ciência do bem e do mal, única árvore proibida em todo o Jardim do
Éden. Esta foi a conseqüência da transgressão a uma
ordem proferida por Deus.
O Plano de Deus, para o livramento do homem da
escravidão satânica, foi a humanização de Cristo, o
Filho de Deus, que por Sua morte na Cruz, tem o poder de transferir o homem do
império das trevas para o Reino de Luz. Todo aquele que crer nesta realidade
espiritual passa a ter Cristo como Rei, Salvador, Remidor,
Redentor e, somente assim o homem passa a ser um súdito do Reino de Deus, livre
das cadeias que o prendiam ao Diabo.
Depois de aceitar essa verdade absoluta o homem
passa pelo processo do Novo Nascimento, isto é, o despertamento do seu espírito. Satanás já está condenado, por isso, é preciso romper com tudo
o que ainda possa prender o crente ao reino das trevas.
Alguém que se naturalizar em outro país, ficará
sujeito às leis do novo país; mas, se deixou dívidas e contratos no país de
origem, será cobrado e sujeito a penalidades, ainda
que esteja sob as leis de um novo governo.
No primeiro século, os cristãos, na ocasião do
batismo, costumavam fazer uma declaração de renúncia ao Diabo e a todas as suas
obras. (“abrenuntiatia diaboli”).
ENVOLVIMENTOS ESPIRITUAIS:
Deuteronômio 7:16; Êxodo 23:33; II Timóteo 2:26.
O culto a outros deuses, as práticas ocultistas e
místicas, a necromancia e todos os envolvimentos
sobrenaturais praticados ou seitas heréticas, falsas religiões aceitos antes da
conversão, formam laços (ligações) com espíritos malignos.
Muitas vezes são ligações involuntárias, crianças
sem consciência do mal. II
Coríntios 11:14-15.
Outras vezes esses laços são feitos de maneira
indireta, através de objetos consagrados a ídolos, comprados ou recebidos como
presente. Para Satanás, todas estas coisas servem de porta de entrada para se
fazer presente na vida da pessoa, pois ele veio para “matar, roubar e
destruir”, é o pai da mentira, homicida e usurpador. Quando o homem,
voluntariamente ou através de outra pessoa, recebe auxílio de demônios, legítima
a atuação demoníaca em sua vida.
Esses envolvimentos espirituais podem ser, superficiais ou mais profundos, de acordo com o pacto
feito, mas, todos são graves.
A oração de renúncia é uma declaração pessoal e
voluntária, diante dos representantes da Igreja, após a conversão, quando o
reconhecimento do erro e o arrependimento terão o efeito de anular os
envolvimentos espirituais, desfazendo assim, todo direito exigido por demônios.
Pela renúncia, o crente é desligado dos votos e dos
pactos, que serão anulados pela oração.
Quando existe uma dívida financeira, o devedor
sempre estará sujeito à cobrança, ainda que se recuse a pagar. Quando existe
uma ofensa a um irmão, Deus requer a reconciliação, com o pedido de perdão. Se
houver roubo, deverá haver restituição.
Do mesmo modo, os atos passados que nos envolveram
com satanás, devem ser renunciados, para que não sejamos devedores. O
“contrato” com as trevas é anulado com a oração voluntária.
O PACTO GERA MALDIÇÃO:
Êxodo 20:3-5; Gálatas 3:13; Colossenses 2:13-15.
Enquanto vive no reino do mundo, o homem está
debaixo de maldição universal.
O pecado gera no homem um sentimento de culpa pela
sua transgressão à lei de Deus. É fundamental o reconhecimento do pecado, o
arrependimento e a confissão a Deus, para que possa receber a benção do perdão.
Aquele que não confessa sua transgressão fica impedido de receber o perdão.
Jesus Cristo morreu para dar o perdão a todos os homens, mas muitos, pelo seu
orgulho e cegueira espiritual, ainda que saibam estarem errados, rejeitam o
plano de Deus e, por isso, se excluem da herança a que teriam direito em
Cristo.
Se pactuar com Satanás, atrairá maldição
sobre si próprio. Ainda que Cristo tenha desfeito a maldição do pecado
na Cruz, despojando também os principados e as potestades do mal, é necessário
que aquele que se ligou voluntariamente com a maldade, desfaça também,
voluntária e conscientemente, as suas ligações com as trevas.
A oração de renúncia não diz respeito à salvação,
mas à libertação das prisões. Satanás julga ter direitos adquiridos pelos
antigos contratos. A renúncia é um ato voluntário de desistência das antigas
ligações. A Salvação não depende desta oração.
Nos contratos humanos, comerciais, de trabalho, de
compra e venda, financiamentos, casamentos, etc. a
validade é sempre através de testemunhas. Antigamente eram utilizados objetos,
marcas, sinais, papéis, como prova da validade dos contratos ou pactos
realizados entre duas pessoas ou entre famílias. Nos pactos de sangue entre
homens, por exemplo, a cicatriz no corpo testificava que um pacto foi
realizado. Nos “contratos” espirituais do mal, sempre existem testemunhas: as
potestades invisíveis, espirituais do mal. Por esse motivo, tais contratos
precisam ser desfeitos diante de ministros da Igreja de Cristo.
Diante de Deus, as palavras da nossa boca ficam
registradas, até que proferimos inadvertidamente, e só serão anuladas com o
nosso consentimento. Daí, a importância da declaração pública da renúncia: a
anulação do contrato.
PECADO E RENÚNCIA
A raiz do pecado foi tratada diretamente na Cruz e,
quanto aos atos pecaminosos:
“O sangue de Jesus Cristo, seu Filho,
nos purifica de todo o
pecado”. I João 1:7.
O Cristão é
capaz de dizer não ao pecado, mas, se pecar:
“Temos um advogado para com o Pai,
Jesus Cristo o Justo”. I João 2:1.
Pecado é a transgressão da lei de Deus.
A Oração de Renúncia só será aplicada quando forem
constatados as ligações ou laços com espíritos malignos. Satanás é usurpador.
Ele está sempre buscando a quem possa tragar porque ele se alimenta do pó e o
homem é feito do pó e ao pó tornará. Se o cristão fez votos aos demônios, que
os anule, pois ele é um cobrador implacável. Quanto mais depressa a pessoa
convertida desfizer seus votos com as trevas, tanto mais rápido se verá livre
das conseqüências de um engano fatal e poderá alcançar maior entendimento
espiritual pela quebra das fortalezas mentais formadas em função do pacto.
(Incredulidade, rebeldia, dúvidas, questionamentos, conceitos distorcidos da
verdade, inversão de valores, troca do absoluto pelo relativo, do eterno pelo
transitório, do infinito pelo limitado.).
·
Se alguém praticar um
roubo, peca contra Deus e contra o próximo. Se invocar ajuda de forças
sobrenaturais para praticar o ato, firma um pacto com o reino das trevas.
·
Se alguém se irar e
descontrolar-se, peca, mas se o ódio o levar a invocar espíritos, pactua com
demônios.
·
Se alguém adultera ou
pratica alguma relação sexual ilícita, seu pecado é grave. Mas se, além disso,
pactua com demônios para ser bem sucedido nesta área, fica devendo aos
espíritos enganadores.
Para o pecado: arrependimento, confissão e posse do
perdão.
Para os pactos: renúncia e anulação dos votos.
SANTIFICAÇÃO E RENÚNCIA
A oração de renúncia não substitui a operação da
Cruz em nossa vida, mas muitas vezes, somos bloqueados no nosso crescimento
espiritual, porque existem ligações com as trevas.
A luta da carne contra o Espírito é travada durante
toda a caminhada cristã, mas, muitas vezes, uma pessoa não é vitoriosa em
algumas áreas de sua vida porque espiritualmente está presa às hostes malignas.
A caminhada espiritual será sempre prejudicada
enquanto a renúncia não é feita. As dificuldades podem variar de pessoa a
pessoa, sendo maior ou menor conforme a resistência mental de cada uma.
Uma pessoa que teve envolvimentos com doutrinas
ocultistas, terá dificuldades em compreender as verdades da Palavra de Deus,
até que seja feita a renúncia.
É importante que a pessoa se desfaça de objetos
consagrados a ídolos (presentes; objetos de decoração, livros, patuás, comidas etc.). Josué 7 e Atos 19:19.
DESLIGAMENTO
Mateus 18:18.
A oração de desligamento é um ato espiritual, de
autoridade, realizado pela Igreja, com a finalidade de decretar o desligamento
de uma pessoa do poder do mal. Todos os direitos de Satanás sobre aquela pessoa
são desfeitos pelo desligamento.
O ato de desligamento é de grande responsabilidade
e por isso, não deve ser feito de qualquer maneira, por pessoa despreparada,
mas por dois ou mais líderes representantes da Igreja, dedicados à esse ministério.
Quando a renúncia é realizada, o reino das trevas é
abalado porque satanás é derrotado nesta guerra espiritual. A Igreja tem
autorização para participar dessa batalha e ser vitoriosa, com base na Obra da
Cruz.
É possível que ocorram represálias ou contra
ataques de satanás contra os participantes. Diante dessa possibilidade, é
sempre recomendável que se façam orações de proteção sobre os presentes ao ato
e também sobre seus familiares.
Além disso, temos a garantia que nos dá a Palavra
do Senhor contra o mal, e podemos pelo nome de Jesus, impedir e proibir essas
represálias. Lucas 10:17a19, Mateus 28:18.
PREPARO PARA A ORAÇÃO DE
RENÚNCIA
A renúncia é, basicamente, uma atitude voluntária e
consciente, não se deve induzir ou forçar alguém a fazê-la. Há necessidade de
um preparo anterior, e esse deve ser feito imediatamente após a conversão da
pessoa, principalmente nos casos em que houve libertação de possessão
demoníaca.
Devem ser feitos esclarecimentos básicos sobre o
Reino de Deus e o reino das trevas, o domínio de satanás no mundo, o perdão dos
pecados, o valor do sangue de Cristo e a Vitória na Cruz.
A renúncia é uma oração de muita seriedade, de
muita importância no plano espiritual. Os novos convertidos devem ser alertados
para isso durante o preparo.
O candidato à renúncia poderá encontrar
dificuldades:
·
Para lembrar-se dos fatos a
serem renunciados, por esquecimento natural ou por impedimento espiritual;
·
Para perceber sua ligação
com as trevas;
·
Para reconhecer os pactos.
No momento da oração, às vezes, a pessoa não
consegue falar (sua voz fica presa). Deve-se, nesse caso, ajudá-la repetindo
junto com ela a declaração até que sua voz esteja liberada.
Se houver possessão demoníaca, haverá a expulsão
antes da renúncia. A pessoa pode desmaiar ou sofrer uma dor ou erupção cutânea,
como alguns casos ocorridos, e depois constados como o retorno de alguma doença
em que a pessoa fora curada, temporariamente, por demônios. Nestes casos,
ordena-se a cura definitiva na autoridade do nome de Jesus.
UM MODELO DE ORAÇÃO DE
RENÚNCIA
·
Primeiramente o renunciante
deve fazer uma declaração de que agora é nova criatura; que voluntariamente
escolheu aceitar a Jesus Cristo como único Salvador; que nasceu de novo, que
agora é um filho do Deus Altíssimo Criador dos Céus e da terra e que se
arrepende dos pactos feitos enquanto não conhecia a Verdade.
·
“Diante da Igreja, dos
anjos e das potestades espirituais da maldade, com o testemunho de Deus e de
Jesus Cristo e com a direção do Espírito Santo, desligamos (dizer o nome da
pessoa) dos pactos feitos com as trevas e declaramos que Satanás não possui
mais nenhum direito sobre (ele ou ela)”.
·
Oração contra represálias:
“Impedimos qualquer intenção demoníaca de perturbar nossa vida e dos nossos
familiares. Colocamo-nos debaixo da proteção de Deus e clamamos: Senhor, livra-nos de todo o mal e guarda-nos segundo a Tua
misericórdia, em nome de Jesus.” Amém.
·
Estes são apenas modelos,
sugestões para os líderes que se propuserem a iniciar esta prática.
Por favor, ninguém adote os modelos como reza, pois
seriam “vãs repetições”.
Cada um seja conduzido pelo Espírito Santo e não
por sua própria mente e muito menos pela mente alheia. Deus seja louvado,
porque dele é a honra, o poder e a glória para sempre. AMÉM.
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